11 de dez de 2015

Primeiras impressões morando fora.

Hoje tenho três convidados especiais falando sobre as primeiras semanas morando fora, quais foram os sentimentos, situações e medos que ficaram marcados.


Jéssica Philippsen - Atualmente morando na Nova Zelândia


No meu ponto de vista mudar de país é complicado por vários fatores.
Eu vim pra Nova Zelândia com working holiday. Eu vim com pouca grana e por isso o meu desespero por emprego logo de cara foi grande.
No começo foi tudo muito difícil, principalmente porque eu não falava bem inglês. Falava apenas o meu nome e o que eu achava que sabia, na verdade eu não sabia, pois o sotaque daqui é muito diferente do inglês que eu aprendi na escola.
Eu senti muita dificuldade em entender as pessoas e no começo eu entrei em pânico e achei que eu não fosse passar do primeiro mês aqui do outro lado do mundo. Muiiitas lágrimas rolaram nessa fase de adaptação. O que facilitou um pouco foi que eu tinha o meu primo morando aqui e logo me envolvi com brasileiros que me deram muito suporte e também comecei a namorar. Me ajudaram com emprego e tudo mais no que eu precisava. Eu também soube me virar bem com as mímicas., claro. rs
Enfim... Aprendi um pouco do inglês e as coisas ficaram um pouco melhor.
A parte mais difícil em relação a saudade são principalmente em datas comemorativas, tais como dia das mães, dia dos pais, aniversário de alguém da minha família. Com o tempo eu fui driblando muito bem a saudade. A minha passagem de retorno pra casa eram em três meses, depois passou pra um ano até que... Ela não existiu mais. 
Aqui estou a 1 ano, 9 meses e 2 dias e agora eu posso dizer que a saudade é demaaais. Tem horas que eu penso em comprar passagem pro Brasil na mesma hora e voltar pra casa.
Eu sinto muita saudades de estar com a minha família, eu vejo o tempo passar, as coisas acontecerem e eu aqui, longe de tudo e todos. Todos os dias eu venho me perguntando se tudo isso está valendo a pena. Será que vale a pena você começar uma nova vida longe da sua família? 
Hoje em dia eu fico muito dividida entre ficar aqui ou retornar ao Brasil. A saudade cresce a cada dia que passa e tem horas que eu penso que não vou aguentar. A saudade ficou ainda mais forte quando a minha mãe veio me visitar e retornou ao Brasil. 
O começo foi mais fácil pra mim, tudo era novo, tudo era diferente e eu estava desfrutando, mas hoje em dia eu já não sei mais. 
Enquanto isso, eu vou seguindo dia após dia e de coração aberto pro que der e vir.
O que acalma ou me deixa ainda mais saudosa é saber que em junho eu vou passar férias no Brasil. Quero que os dias passem rápido. Não vejo a hora de pousar em POA, abraçar a minha família e estar no meu quarto.
Tic tac, tic tac... E o som do relógio me enlouquece.

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Vinícius Bley Rodrigues - Atualmente morando na Alemanha


Olá!
Tenho o imenso prazer em escrever para o blog da Beth, sobre as minhas primeiras impressões vivendo fora do Brasil. Primeiramente vou me apresentar e dizer onde estou morando: sou Vinícius, gaúcho, morador oficialmente recente“ (me registrei como morador a poucos dias, apesar de ter chegado aqui em meados de setembro) de Harkebrügge (não se preocupem! se pronuncia assim: Rárquebruegue), no estado da Niedersachsen (baixa saxônia), na Alemanha.
Estou morando temporariamente com meus parentes, sendo que em troca eu os ajudo nas tarefas diárias, seja em casa ou no galpão dos cavalos. Estou procurando emprego e já fiz algumas entrevistas (ansioooso…), tenho conta em banco, enfim aos poucos estou me acostumando com o jeito germânico.
Eu tomaria um tempo muito grande das pessoas descrevendo o que me levou a sair do Brasil, desde antes da viagem, os preparativos… o medo que eu tive, no aeroporto, da vida nova que eu teria… e o que foram os meus primeiros dias e o que vem sendo até agora.
O ponta pé inicial dessa minha empreitada num país muito diferente do Brasil foi o meu desejo de aliar o desbravamento de nova experiências e fazer um mestrado. O que definiu para onde eu iria foi o fato de eu ter a cidadania alemã (prost!) e de eu ter parentes que não emigraram para o Brasil no período entre as grandes guerras mundiais. Com esse suporte, me senti confiante em iniciar essa doideira que é sair da zona de conforto da casa dos pais haha.
Bueno, primeiramente cheguei aqui no meio de um onda de refugiados sírios, em vista aos conflitos internos lá. Pensem, eu sou moreno claro, com barba, cabelo e olhos escuros… muita gente pensou que eu era um refugiado sendo abrigado pelos meus parentes. Uns se solidarizaram e perguntaram se eu não precisava de um emprego haha. Na realidade preciso sim, mas preciso estudar também. As pessoas aqui tem dificuldade em dizer de onde venho, em vista que eu sou muito branco pra ser árabe, tenho a cara muitas vezes vermelha por causa do frio, coisa que pouca gente fora do centro-norte da Europa tem. Enfim, preciso sempre dizer de onde venho, pois Brasil é uma das últimas alternativas que eles pensam.
Além da minha aparência, que por momentos é vista como “exótica”, ou com desconfiança, percebo que a língua, o jeito de se expressar influencia enormemente na aceitação social. Em ambientes onde o tratamento é mais formal, nem sempre falar inglês é a melhor solução. Tive um caso na Oktoberfest em Munique, onde uma guria que estava na mesma tenda que eu, teve problemas com as coisas da reserva dela (roupas de cama fornecidas pelo camping/hostel), pois outra brasileira de má fé roubou e a culpa recaiu sobre ela que nada tinha feito além de reservar as camas. Pois bem, sob o olhar dos donos do camping ela era a responsável pelo ocorrido e deveria se explicar. Ela tentou no melhor inglês que ela podia, porém os atendentes estavam sob stress e logo descarregaram o famoso azedume alemão nela. Eles retiveram o passaporte dela e ela tinha um voo horas depois. Pensei em ajudar e conversei calmamente em alemão: comecei com um com licença “(Entschuldigen Sie bitte), argumentei com por favor“ (bitte!) e terminei com obrigado!“(danke). Enfim, respeitei as normas sociais de tratamento deles, falei na língua deles e mantive a calma… resultado: a guria recebeu de volta o seu passaporte, e não ficou com fama de pessoa de má fé.
É muito importante ressaltar que aqui, esse azedume se deve ao número elevado de pessoas que exigem que todo mundo fale inglês, pois a língua alemã é muito difícil. Muitas pessoas pedem coisas em inglês sem por favor ou com licença, em troca recebem um coice do(a) vivente.Aqui é necessário saber ser educado sem bajular, ser franco e não dar jeitinho nas coisas, caso contrário a coisa o de ficar feia. rsrs.
Além da linguagem e como me expressar, notei o senso de justiça das pessoas de uma maneira geral. Ser justo significa que tu estás sendo correto e ajudado as coisas fluírem pelo melhor caminho. em outras palavras, eles detestam desordem. DETESTAM, ODEIAM! preferem também que tu perguntes, em qualquer ocasião que a situação exige um entendimento mútuo, ou seja, querem as coisas bem claras. Limpo no limpo, elas por elas.
Apesar da ordem social ser fundamental aqui na Alemanha, muitos problemas surgem quando tudo é quase que totalmente “perfeito” tais como alcoolismo, excessos dos mais diversos tipos, suicídios, chauvinismo (sim, aquele velho chauvinismo prussiano ainda fica encrustrado em alguns seres), etc. Fora isso de uma maneira geral as pessoas são amáveis e quando dizem que vão te ajudar, elas ajudam mesmo! Adoram ver e fazer as pessoas felizes, gostam do contato com a natureza e tem uma baita responsabilidade com os cães, pois nem um é visto perambulando pela cidade sem rumo.
Em relação ao Brasil, as boas coisas da minha terra natal estarão sempre comigo, nas minhas lembranças e sentimentos. Seja aqui ou em outro lugar eu vou levar sempre as melhores impressões comigo, de forma que o que foi bom, permaneça.     

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Marcela Casimiro - morou na Holanda por um ano.


Quando eu cheguei na Holanda, logo me assustei com tudo tão novo, ainda mais porque eu não falava inglês e também entendia pouco. Demorou 15 dias para eu perder a vergonha e começar a falar. Me lembro que eu estava tão assustada que no caminho do aeroporto pra casa da host family eu queria voltar para a minha casa.
Eu chorava bastante no começo, principalmente quando falava com a minha mãe pelo telefone.
Acho que era só medo mesmo, o tempo foi passando, eu comecei a me comunicar, fiz algumas viagens, e não me esqueço no dia que eu fui pra Utrecht e andei numa rua que eu sempre passava e dessa vez achei tudo tão lindo, foi quando eu percebi que os três meses da adaptação tinham passado.
Fazia exatamente três meses que eu estava lá, e parece que foi mágica, eu comecei a ver tudo diferente e passei a amar estar lá.
Meu conselho é que se no começo estiver difícil a adaptação não desista porque melhora - e muito
Toda mudança dói, mesmo aquelas que nós tanto ansiamos, como era meu caso.


Bom final de semana para todos.

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