4 de jun de 2015

WWOOF - Relatos.

Algum tempo atrás eu fiz um post sobre um tipo de intercâmbio chamado WWOOF, que significa World Wide Opportunities on Organic Farms, resumindo a história: você trabalha em troca de hospedagem e alimentação, tudo isso em uma fazendo orgânica! São cerca de 420 fazendas cadastradas em mais de 51 países, ou seja, tem muita opção, inclusive aqui no Brasil.
É ótimo para troca cultural, aprendizado sobre fazendas orgânicas, economizar uma grana para poder viajar mais, e muito mais.
Funciona mais ou menos assim:
escolha o país para onde deseja viajar, assim você será direcionado para o site WWOOF daquele país especifico.
faça o seu cadastro.
pague a taxa de inscrição, que não é muito caro, mais ou menos 30 dólares, mas isso depende do país escolhido, se você deseja viajar para mais de um país, terá que pagar a taxa desses outros países.
agora você verá o perfil das fazendas e poderá entrar em contato com as quais você se identificar, é importante você conversar bastante com o host, e ambos terem a certeza de que querem e esperam a mesma coisa. O tempo que vai ficar hospedado e no que vai trabalhar, vai depender muito, vai do acordo feito com o fazendeiro.

Não é um trabalho escravo! Você trabalhar entre 4 a 6 horas diárias, terá alimentação e hospedagem de graça, a principio é muito seguro, mas temos que conversar bem antes de ir.
Como eu ainda não tive essa experiência, eu fui atrás de pessoas que já viajaram através desse programa para escreverem relatos do que vivenciaram.

Flávia Corregio da Costa.
23 anos, psicóloga e WWOOFer.

"Descobri o WWOOF no fim de 2013 quando procurava uma maneira de viajar por alguns meses sem gastar o que eu não tinha. Estava no fim da faculdade de Psicologia e depois de cinco anos de estudo senti que conhecer novos continentes, países, línguas e culturas seria importante para mim antes que minha vida profissional tomasse conta de todo meu tempo. Primeiro decidi quanto tempo ficaria (3 meses) e depois comecei a pensar que países eu gostaria de viver por um tempo. No fim das contas os escolhidos foram Itália e França.

Após alguns meses de pesquisa, vários contatos com diversas fazendas e muita preparação eu embarquei sozinha para a Europa pela primeira vez para viver em lugares que eu nunca tinha ouvido falar e com famílias que meu maior contato havia sido por email.
Minha primeira parada foi na Itália em uma fazenda onde a maior parte da plantação são oliveiras centenárias. Além disso eles também tem uma horta de médio porte, uma pousada e são responsáveis pela manutenção das trilhas em montanhas da região onde muitas pessoas passam suas férias caminhando. Como eu cheguei no mês de março e o trabalho com a colheita das olivas é lá pra Novembro, minhas atividades foram basicamente ajudar com a manutenção e plantio da horta, fazer pequenos reparos em cercas e renovar cadeiras, ajudar com a cozinha nos dias que tínhamos clientes, pois eles também tem um restaurante vegetariano e ir para as montanhas com o meu host para ajuda-lo na marcação com caminhos e manutenção das trilhas (que era a parte que eu mais amava em fazer). Passei um mês nessa fazenda que está em um lugar incrível com muita natureza e muito verde, e ao mesmo tempo muito perto de Roma o que possibilitava que eu fosse a exposições ou simplesmente turistar.
No mês de abril fui para a França onde fiquei em uma fazenda que produzia muitos legumes, verduras, frutas e vegetais em geral. Depois de todo o trabalho da semana com o plantio, preparo da terra e colheita o host passava o sábado e o domingo em duas feiras diferentes vendendo seus produtos. O trabalho era bem diferente da primeira fazenda em que fiquei na Itália e a dinâmica da família também, mas ambos sempre me respeitaram muito, fizeram o possível para que eu me sentisse em casa e sempre se interessavam pelo meu país, minha língua e minha cultura.
Gostei tanto da experiência e me dei tão bem com as duas famílias que esse ano voltei para a Itália na mesma fazenda para mais dois meses de WWOOF. Mas dessa vez voltei também como amiga e agora quase voltando para o Brasil sei que eles me consideram também parte da família.
Como pessoa e como psicóloga eu recomendo o WWOOF pra todo mundo. Desde os 18 até os 80. É uma forma incrível de se conhecer novas culturas, novos paladares e sabores e mais do que tudo de se conhecer. E poder ter tudo isso em fazendas orgânicas onde geralmente as pessoas pensam de maneira mais ecológica e se preocupam verdadeiramente com a maneira como se alimentam e como vivem em harmonia com a natureza é um presente maior ainda.
Muitas pessoas me questionaram do porque ir para fazendas orgânicas fazer voluntariado se eu era uma psicóloga. Para mim isso fazia sentido desde sempre, mas agora faz muito mais. Não sou a mesma pessoa que era antes, minha maneira de ver o mundo e de compreender as pessoas ampliou de uma maneira absurda. Hoje vejo muito mais além e me sinto muito mais empática as diferenças que me rondam e as dores e delícias de se ser o que se é independente para onde você vá.
Também preciso dizer que fazer tudo isso sozinha me deu uma outra perspectiva sobre as minhas capacidades e a possibilidade de mergulhar fundo dentro de mim.
Só tenho uma dica que acredito ser muito importante e que pode ser crucial para que você tenha uma boa experiência como WWOOFer: sempre peça para a fazenda que você possivelmente vá ficar o email de voluntários que já estiveram lá e entre em contato com eles para saber sobre sua experiência, como é a rotina de trabalho e como eles foram recebidos pela família. Eu fiz isso com ambas fazendas e só tive incríveis momentos e belas surpresas com as duas. Conheço outros wwoofers que não tiveram a mesma sorte que eu e acabaram em lugares não muito interessantes, o que poderia ser evitado caso eles soubessem mais sobre a fazenda além da descrição que os mesmos coloram no site do projeto.
Enfrentem seus medos de viajarem sozinhos para lugares desconhecidos, o mundo é grande demais e cheio de lugares lindos e pessoas incríveis para se conhecer.
Eu fiz um blog para registrar um pouco de todas essas viagens. Caso queira saber mais sobre é só acessar aqui."

Itália.
 Itália
 França.
 França.
 França.

Hian Carvalho. 

"WWOOFing era algo que conheci dois anos antes de ir para Irlanda e sempre tive vontade de fazer, mas não encontrava oportunidade. Assim que minhas aulas terminaram em Dublin, decidi pagar a inscrição do site e procurar uma fazenda. Foram 30 e-mails enviados no primeiro dia é depois de uma semana recebendo "não", um fazendeiro me enviou uma mensagem dizendo que eu poderia ir a qualquer momento, só avisar. E assim o fiz. Fui muito bem recebido por ele, um ex-engenheiro do exército britânico e sua família, incluindo o gato mais preguiçoso que já vi. Ele me pegou de carro em Dundalk, a cidade mais próxima, junto com outra WWOOFer, alemã. Até ali eu não sabia o que poderia me esperar nos quase dois meses que passei ali. Todos ali tinham muito o que contar e conversávamos sempre, observamos as estrelas, andamos pelas colinas e fazendas ao redor e até controlamos invasões de ovelhas quando o inverno se foi. O filho do dono tinha um dom inacreditável no violão e claro que não deixamos de ter noites com folk irlandês. Ele, o dono do lugar, gostava que cozinhássemos, mas meus dotes culinários não eram dos melhores. Cheguei sabendo malmente fazer macarrão e saí até fazendo tortas diversas. Ele sempre empolgado quando queríamos fazer algo, comprava logo todos os ingredientes. Aprendi a cortar lenha, jardinagem, receitas culinárias, apreciar mais a natureza e um céu de interior, tão cheio de estrelas. Fui trabalhar na chuva, na neve (sim, tivemos uns bons dias de neve), no vento forte e valeu a pena, valeu tudo. É o tipo de experiência louca que vai ficar comigo para sempre e todos os amigos que fiz lá. Só não faça como eu e tente achar um lugar "pra hoje", pois achar um lugar tão rápido é sorte."

Outros blogs com relatos ótimos:

  • Blog da Thelma Alves e Tadeu Arcolini: post super detalhado e com uma ótima história, vale a pena ler e ver quanto essa experiência pode ser legal, aproveite e explore o blog, pois eles já viajaram para mais de 150 cidades pelo mundo e fizeram uma volta ao mundo em 365 dias

  • Blog da Marcela Souza e do Guigo Lopes: Eles estão viajando pelo programa work exchange e lá tem várias dicas, desde como montar um bom perfil para voluntário, o dia a dia com a host family, etc. Olha só um pequeno textinho deles antes de encontrar a host family, que nervoso bom:

"Apesar de ter sido planejado, estávamos prestes a ir para a casa de uma família que nunca vimos na vida, em um outro país, com uma língua que não dominamos. Não podíamos imaginar a intensidade em que os receios começavam a explodir dentro de nós. Como vai ser? E se eles forem malucos? E se a gente não se adaptar? Nosso inglês capenga vai ser suficiente? Será que o lugar é muito isolado? E se o rango for estranho? Será que eles são muito diferentes de nós?" Marcela Souza e Guigo Lopes.

Obrigada a todos que se disponibilizaram a escrever para o blog, e espero que esses relatos e dicas ajudem a quem está interessado em viajar, para mim foi ótimo e muito esclarecedor, sem falar que a vontade de viajar pelo WWOOF só aumentou. 

3 comentários:

  1. Que bacana. Parece ser bem legal fazer isso...

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  2. Estou procurando vários relatos e lendo sem para experiências como essas! Estou gostando de ler e ver todas as fotos, e quero seim fazer Wwoof e vou em 2017 se Deus quiser. Vou tentar da uma juntada de dinheiro para a passagens, seguro e tudo mais e outras coisas, e se jogar e penso em ir para Itália, França e Portugal :)

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  3. Ai meo deos, estou me coçando pra ir!!!! Morro de medo, nunca viajei sozinha D:

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